27 de fevereiro de 2017

Obrigado Arminda e Zé Tó

Fotografias de Nuno Neves
Havia o passeio ao Caramulinho.
"Mas vimos de tão longe, não se arranja aí um bocado de trabalho para fazer?"
Há pessoas assim, cuja disponibilidade e gosto por fazer é grande e constante, e a Montis procurar ser capaz de estar à altura desta disponibilidade.
O Luís, em vez de começar a folga mais cedo, disse que sim, que ficava para a tarde de Sábado e para o Domingo, depois se veriam os dias de compensação.

Na tarde de Sábado, depois do passeio e merenda, rumo ao carvalhal de Vermilhas, visitar o que está feito, ver como evolui, dar uso aos trilhos abertos para que se mantenham abertos e, ainda por cima, mais uma ajudinha a alguns carvalhos para os preparar para o próximo fogo.
No Domingo foi-se para mais longe, para o baldio de Carvalhais, fazer uma coisa menos habitual em associações de conservação: ajudar a regeneração natural de pinheiro a evoluir, para ver se chegamos à resinagem antes do próximo fogo.
Neste caso não está em causa directamente a biodiversidade ou a resiliência ao fogo, mas sim trazer gestão que nos permita ir mantendo, sustentavelmente, algum mosaico.
O trabalho correu bem e ainda deu para ir dar atenção a uns pequenos núcleos (na verdade quase árvores isoladas) de mimosas que por lá estão e que teremos de controlar enquanto é relativamente fácil.
E não contentes com tanto trabalho oferecido, ainda trouxeram companhia e a Montis fez uma nova sócia.
É  este o modelo de gestão da Montis: passos de pessoas comuns, pequenos ou grandes, os que forem possíveis, mas sempre no mesmo sentido.
Até agora não nos podemos queixar da generosidade de quem se tem interessado pelo que fazemos.

26 de fevereiro de 2017

O fogo e as invasoras a 4 de Março

Imagem de hakea retirada do site Invasoras
Quando possível, no turbilhão de tarefas que o Luís tem de assegurar, daremos todos os pormenores do terceiro passeio do fogo, desta vez em articulação com o projecto invasoras e dedicado ao que pensamos que seja o efeito mais negativo dos fogos florestais: a expansão de espécies invasoras que beneficiam do fogo, como as acácias e as hakeas.
Para já o post é sobretudo para que reservem a tarde do próximo Sábado para passear com a Hélia e a Elizabete Marchante e connosco, em áreas onde a expansão das hakeas é real e a floração das acácias nos permite uma visão mais clara do problema que estará para vir.
O modelo é o do costume, um passeio depois do almoço e uma merenda no fim do passeio, com pessoas que sabem do que falam e com gente de boa vontade que quer saber mais.

24 de fevereiro de 2017

O fogo que queremos

O Luís Lopes, que acompanhou a queima, fará um post sobre o fogo controlado que fizemos ontem no baldio de Carvalhais.
Mas enquanto isso não acontece, talvez valha a pena dizer qualquer coisa sobre esta opção de gestão, que não é habitualmente usada por organizações de conservação em Portugal.
O que está em causa, nesta acção de ontem, é a criação de boas condições de gestão, quer na área queimada, quer nas áreas envolventes.
Queimámos cerca de 20 hectares dos 100 que temos sob nossa gestão neste baldio, do lado Leste da propriedade, como forma de reduzir o combustível do lado de que habitualmente entram os fogos na propriedade, criando mosaicos e facilitando o combate futuro.
Com isso, não só ajudamos a gerir melhor os outros 80 hectares (que, em qualquer caso, arderão, mais tarde ou mais cedo), como temos agora condições para investir mais consistemente na recuperação da vegetação e do solo das áreas mais baixas, articulando esta acção com as intervenções de engenharia natural e outras.
Claro que teríamos preferido fazer primeiro o fogo e depois a primeira oficina de engenharia natural, mas não foi possível e vamos agora avaliar em que medida o trabalho feito ainda mantém alguma funcionalidade, acabando por fazer uma maior retenção de cinzas e nutrientes, embora se espere uma baixa erosão, com as condições meteorológicas que hoje podemos prever (dois dias de chuva fraca na semana que vem).
As razões para usarmos esta técnica de gestão são razões de gestão muito bem definidas, mas são também razões pedagógicas.
Estamos a combinar em que fim de semana de Maio o António Salgueiro guiará mais um passeio do fogo, neste caso por uma área de fogo controlado, permitindo que todos possam discutir as vantagens e desvantagens do uso desta ferramenta e, sobretudo, em que circunstâncias ela pode ser favorável aos objectivos definidos e em que circunstâncias será preferível usar outros métodos de gestão.
Mas logo no dia da queima se tirou partido deste potencial pedagógico, com o António a fazer uma exposição inicial mais longa e pormenorizada para as cerca de vinte pessoas presentes, para além de explicações constantes ao longo do dia, sobre as opções de queima e condução do fogo.
Correctamente usado, o fogo é bastante preciso, só queima o que queremos queimar e, sobretudo, queima a temperaturas muito mais baixas que as seriam atingidas nas condições meteorológicas extremas em que ocorrem habitualmente os fogos de Verão, sendo a afectação das plantas muito baixa, queimando apenas partes aéreas e permitindo uma rápida recuperação.
Na verdade, ao queimar desta forma, quando queremos, como queremos, onde queremos, substituímos um modelo de gestão de fogos períodicos em condições extremas que se traduz numa lenta recuperação dos sistemas naturais, sem objectivos definidos, numa peça de outro modelo de gestão, com objectivos bem definidos e em que a não gestão é uma opção válida quando os sistemas naturais atingem um grau de maturidade interessante, e não a falência do uso do território.
Daqui a alguns anos, provavelmente, teremos um território mais rico, mais diverso, com maior potencial de biodiversidade e economia, com uma gestão sustentável e orientada para a produção de biodiversidade.
Usamos o fogo agora, para que não seja o fogo a usar-nos um dia destes.
henrique pereira dos santos

21 de fevereiro de 2017

Fim de semana preenchido

Próximo sábado, dia 25, às 10h, iremos visitar o Caramulinho, o ponto mais alto da Serra do Caramulo (40°32'54.79"N, 8°12'6.90"W), num percurso com cerca de 4 quilómetros, circular e fácil, com uma duração aproximada de 2 horas, através de uma paisagem serrana, numa mistura entre formações graníticas e áreas marcadas pelo uso humano.

Vista para o Caramulinho.
Após a merenda e para aqueles que o desejarem, iremos na parte da tarde visitar os carvalhais da Montis, situados na Serra do Caramulo. 

Por fim, domingo (26), caso haja participantes inscritos, rumaremos ao Baldio de Carvalhais, São Pedro do Sul, para um dia de voluntariado, onde se pretende fazer a gestão de locais com considerável regeneração natural de pinhal bravo.

As inscrições e pedidos de informação, podem ser feitos através de montisacn@gmail.com ou do nº 926277545 (Luís Lopes).

Como chegar ao Caramulinho:
Vindo de sul: Chegados a Tondela seguir para a vila do Caramulo. Na vila (onde há placas a indicar a direção do Caramulinho) seguir para a estrada N230-3, atravessar as aldeias de Ceidão, Cadraços e por fim é o Caramulinho.
Vindo de Norte: Seguir na A-25 até à saída 12. Seguir para Caramulo/Campia até à vila do Caramulo. Seguir para a estrada N230-3, atravessar as aldeias de Ceidão, Cadraços e por fim é o Caramulinho. 



De forma complementar às atividades da Montis, sábado, das 14h às 17h, a Associação Mata Sustentável em Vouzela organiza um atelier de Pão em Forno de Lenha. Para as crianças a actividade tem um custo de 4€, podendo ou não serem acompanhadas pelos pais (6€ por adulto). Para inscrições no atelier, contactar ams.mata.sustentavel@gmail.com ou 919026923/962643286.

19 de fevereiro de 2017

Alteração de data do fogo controlado

Desde o primeiro post que anunciámos datas para a realização do fogo controlado, nomeadamente com os trabalhos de abertura das faixas de contenção, que mencionámos que em última instância, as condições meteorológicas são quem mais ordena.

Infelizmente, face a recentes alterações nas condições meteorológicas, a realização do fogo controlado não é possível ser realizada no dia antes anunciado e será efetuada na 5ª feira, dia 23 de Fevereiro, pelas 9:30h.



O convite a todos aqueles com dúvidas, curiosidade, entusiastas do fogo controlado mantém-se para estarem com a Montis no local e observar, perguntar e discutir esta forma de gestão.

Para qualquer dúvida ou informações sobre o local da queima ou como chegar, poderão entrar em contacto através do email montisacn@gmail,com ou 926277545 (Luís Lopes).



17 de fevereiro de 2017

Segunda feira, às nove e meia da manhã


Ontem de manhã os trabalhos de abertura da faixa de contenção seguiam a bom ritmo e o resultado é parcialmente ilustrado por esta fotografia do terreno.
Quem tem dúvidas, quem tem curiosidade, quem é um entusiasta do fogo controlado tem na Segunda Feira, às nove e meia da manhã, a oportunidade de estar no baldio de carvalhais e ver e perguntar e discutir esta opção de gestão.
A fotografia permite ilustrar bem os dilemas dos gestores de territórios como aquele que nos está entregue no baldio de Carvalhais: giestas deste tamanho resultam muito mais rapidamente num fogo de Verão que num carvalhal maduro ou num pinhal produtivo.
Mesmo que se resolvesse plantar tudo com carvalhos (já vamos à questão dos recursos), era incomparavelmente mais elevada a probabilidade de haver fogos que de se chegar a um carvalhal maduro.
A objecção clássica é a de que se queimamos, então é que não chega mesmo a carvalhal, mas é uma objecção que não tem em atenção quer a forma como a vegetação arde com fogos frios, quer a evolução após fogo. E sobretudo que este fogo controlado não visa obter um resultado, visa criar oportunidades de gestão futuras.
A Montis não vai queimar um dos lados desta faixa de contenção do fogo para ter pastagens ou para manter matos baixos, vai fazê-lo para ter quatro a cinco anos de intervenções que preparem o terreno e a vegetação para o fogo seguinte, com o máximo benefício para a conservação. A seu tempo se verá se faremos um segundo fogo que permita gerir o crescimento dos matos, poupando a regeneração das árvores que entretanto existam (por regeneração natural ou semeados ou plantadas).
É que limpar mato desta forma, a braço e máquinas, custa qualquer coisa, a preços de mercado, como mil euros por hectare, ou seja, para os 100 hectares que gerimos, cem mil euros. Todos os cinco anos.
Ao limpar com fogo reduzimos o custo em cerca de cinco a dez vezes, e falo-emos a um custo entre os 100 e os 200 euros por hectare, com a vantagem dos nutrientes ficarem no terreno em formas rapidamente disponíveis para as plantas.
Não o faremos nos 100 hectares, iremos fazê-lo em vinte hectares, que pensamos que podem ter um efeito real sobre os restantes 80, quando vier um fogo de Verão.
Se, entretanto, formos fazendo intervenções para aumentar a velocidade da recuperação das linhas de água, isso significa que sendo certo que o mato retome a dominância em quatro a cinco anos, não é menos certo que estamos a construir um sistema de corredores em que mais rapidamente as árvores se impõem, criam ensombramento e, consequentemente, criam descontinuidades de combustíveis essenciais para a gestão do fogo no futuro e com fortes ganhos de biodiversidade.
Podemos estar errados, podemos não ter os resultados que queremos, mas seguramente não deixaremos de tentar trazer gestão para onde ela faz falta, usando os recursos efectivamente disponíveis, sem perder tempo com soluções que parecem melhores, mas para as quais não existem recursos disponíveis.